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Lisboa

veigacv
9 de jun.
1 min de leitura

Gosto de Lisboa cinzenta

Castanhas assadas, chuva de outono

Abrigo nas arcadas

Passos apressados.


Os elétricos amarelos circulam

Ao longo das linhas centenárias

resistentes aos atropelos do tempo

em solavancos desajeitados


Observo os seus passageiros

Lembro e imagino a história, as estórias

Vividos no vaivém incansável

Refletidos em espelhos de água

As telas que as materializam

Amo as avenidas, as ruas e ruelas

Com luzes acesas ao final da tarde

Observo, sinto o aroma das cores e relevos

Da cidade das sete colinas que não são sete

A gente no frenesim das ruas salpicadas de água


Abrigos nas longas arcadas

Dos cafés e dos ministérios

Periferia europeia, outrora pioneira

De onde partiram tantos barcos

Onde se criou a mais bela literatura

Sabor das mais belas bicas


Cheiro de castanha assada

Ao som dos pregões das mulheres

Que acenam com folhas de jornal

Ao mar de gente nas ruas


Gosto de observar a tela

De cores e movimentos

Lisboa

Feita de açúcar, sal e especiarias

Sabor ímpar.


ⓒ Carlos Veiga 20.11.2014

 
 
 

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